Após sondagem, Planalto confia que STF vai garantir depoimento por escrito a Bolsonaro.

 

O Palácio do Planalto confia em uma vitória no Supremo Tribunal Federal para garantir o depoimento por escrito do presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura interferência política na Polícia Federal. Assessores presidenciais fizeram uma sondagem entre interlocutores de ministros do STF e acreditam que, apesar de o tema dividir o tribunal, há chances de uma mudança na decisão do decano Celso de Mello.

A área jurídica do governo espera que o Supremo pelo menos suspenda temporariamente o depoimento do presidente Bolsonaro até que o plenário da corte analise o recurso apresentado pela Advocacia Geral da União. A princípio, a Polícia Federal apresentou três datas ao Planalto para o depoimento presencial do presidente, nos dias 21, 22 ou 23 de setembro.

Dentro do governo, Celso de Mello, que não só determinou o depoimento presencial à PF como autorizou a equipe de advogados do ex-ministro Sergio Moro de participar e fazer perguntas, é visto hoje como um inimigo de Bolsonaro no tribunal. Ele se aposenta compulsoriamente em novembro.

Celso de Mello está de licença médica. Só retorna no dia 26 de setembro. Por isso, a área jurídica do Planalto viu uma janela para que o recurso da AGU não seja analisado por ele, mas pelo ministro mais antigo depois do decano no tribunal, que é Marco Aurélio de Mello.

O decano, ao tomar sua decisão, argumentou que a atual legislação só permite o depoimento por escrito para quem é vítima ou testemunha num inquérito, não investigado, que é o caso de Bolsonaro.

Mas há precedente no STF: quando os ministros Luiz Roberto Barroso e Edson Fachin se colocaram a favor de um depoimento por escrito pelo então presidente Michel Temer, que era investigado num inquérito sobre irregularidades em negócios no setor portuário.

Apesar da confiança numa vitória, assessores presidenciais reconhecem que o tema divide o tribunal e pode ser decidido por um placar apertado. Por isso, a estratégia considerada ideal pelo Palácio do Planalto é postergar o depoimento de Bolsonaro para depois da aposentadoria de Celso de Mello, que aí deixaria a relatoria do inquérito no qual o presidente é investigado.

Mas isso ficou mais difícil, depois que o decano decidiu determinar o depoimento presencial e a Polícia Federal agendou datas para o seu colhimento.

Fonte: G1 (www.g1.globo.com)

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